A breja do final de semana costumava ser arrancada na base da braçada dentro d'água.
Mais tarde, às quadras do clube, veríamos um caboclo brigão enchendo o saco dos parceiros, dos adversários e silenciosamente cobrando de de si mesmo a melhor performance possível.
Mesmo que não estivesse valendo barraco.
"Alguém online na mesa?" - ele perguntaria depois da chuveirada.
Ou apenas se aprochegaria na primeira resenha que visse pela frente e mandaria ficha numa gororoba braba servida pelo Coelho.
Na madrugada seguinte, escutando Elton Jhon no volume máximo da boléia, transportaria coisas pra lá e traria rangos para os amigos de cá.
E com a chegada do fim da semana, que se iniciava as quintas, já se permitiria iniciar o ciclo das cervejas.
No sábado era sagrado: Mesa do Carlão.
No clube;
No boteco;
Na roça.
Onde fosse. O que importava era chegar chegando, invadindo espaço e música.
Fazia curadorias prévias e avisava: "hoje minha playlist tá foda!"
Nesse sábado em especial, véspera de eleições, brigaria na mesa com qualquer um que desafiasse seu pensamento de direita.
Mas briga com argumentos, não com gritos. Fora da quadra de peteca não era lá muito do seu feitio sair nas tamancas com ninguém.
Os argumentos não tardariam a evoluir para filosofia, espiritualidade, música e seu amado budismo.
E a música o acompanharia até em casa, onde tiraria o sono da esposa e da mãe, com algumas dezenas de watts RMS balançando as paredes da casa.
De Carlos Gardel à ACDC.
Vizinhos não entenderiam nada sobre sua linha de raciocínio musical, como de costume.
No domingo se aconchegaria com a esposa em algum lugar especialmente qualquer que coubesse em seu bolso.
E no início da semana já veríamos sua selfie de touca novamente, acrescentando saúde ao corpo físico, para permitir que a rotina seguisse alimentando seu corpo espiritual em um ciclo contínuo.
Hoje, habitando os mistérios além matéria que cada fé descreve ao seu modo, sua presença nos guarda saudade.
Seu olhar nessa varanda parece nos sugerir seu momento: enxergando e desenvolvendo seu próximo ciclo.
A nós, que aqui ficamos, nos resta o dever de guardar suas memórias com amor, freternidade e respeito.
Mas esse é só um ponto de vista da saudade. A forma como o sujeito viveu nos demonstra que, seguramente, haverão outras dezenas por aí.
Do seu amigo e irmão,
Pedrão
29/09/2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário